segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Versos Íntimos

                          Versos Íntimos


A sombra de um poste vertical, projetada pelo sol sobre um chão plano, mede 12 m. Neste mesmo instante, a sombra, de um bastão vertical de 1 m de altura mede 0,6 m. Qual a altura do poste? Calcule!


a) 20 m
b) 2 m
c) 12 m
d) 1,2 m
e) 20,2 m.


Sintam este problema como... Um Verso/ Ou imaginem ser/ O homem! O Poste/ Nem pensem na sombra do Bastão/ Pensem no homem/ E na sua "Poesia" do momento

Para o Matemático... A solução

Para a Medicina... Reflexão 

Para o “Poeta”... Pede versos! 

Que meçam a dimensão da sombra

Pois não dimensionamos sofrimentos

         Na sombra de um poste vertical

Projetada pelo sol sobre o chão plano 

Neste mesmo instante, e mesmo dia

Quando possa existir... O desengano 

E a “sombra” do bastão... Era de um homem 

Que se protegia do “Sol” 

E a luz do próprio Sol; queimava e ardia.



Sentia dor por dentro... Não por metros/ Sentia dor na alma... Não no corpo/ Sentia a dor por perto... Não distante/ E sentia... A sua sentença com desgosto/ Sentia que: por uma questão de instantes/ Naquela sombra sobre o chão, “em manto” / Pra seu espanto! Pra seu desespero!/ A Ortotanásia... “Lia-se” em cada rosto.

Ah! Minha irmã! Minha segunda mãe... 
Vivo! É o destino 
E diante da vida, e perante a morte 
Atordoada a mente “avista”, ou tenta 
Reconciliar-se a tudo que contempla 
Na fisionomia que se mostra 
E é lenta a dor 
Nem há o que se faça 
E a impotência dita 
O ritmo doloroso das... Desgraças.

Em tua inspeção eu vi/ Não pela primeira vez, pois já vi tantas/ Mas desta vez, por mim! Por Deus! Por todas as Almas Santas!/ Quis sustentar minha dor/ Por dó! Por “nó”! Que preso na garganta/ Que pena de nós dois... Teus olhos me sustentam/ Não podes te expressar, mas podes confirmar/ O que minha alma... “Tranca”.

Procuro nem olhar... 
As tuas mamas 
Pois só de olhar, meu Deus! Espanta! 
O que palpar! O que fazer! 
Vontade de dizer... Meu Deus! Arranca!
É duro! É pedra! 
A previsão não nega... É “negra”  
Dói por saber que amanhã... Mais nódulos atormentam 
E ver surgir mais um, mais dois, ou três, ou dez 
Em seriado e múltiplos 
E cada vez que olhe... Mais desgosto 
E cada vez que veja... Mais sofremos 
É como aceitar, quem não queremos 
E dividir a dor... Sofrer... Serenos.




Certo que nos amamos tanto como irmãos/ Certo que estaremos “sempre”, e sempre “juntos” / Mas não há coisa pior/ Que possa! Que exista! Neste mundo/ Que ver alguém morrer/ Sem termos o que fazer... Só contemplando/ E por que meu Deus!/ A morte fez questão de se substabelecer... Assim/ Alguns... Em um segundo/ A outros... Em sucessão cadenciada/ A lenta luta contra o tempo... Em micro-gotas... Segundos, por segundos.


 

                                                                                          Dr Ademar Raimundo de Barros.




Comentários do Autor: Assim é a vida... Dura, nua, crua. Mas bem aventurados! Todos os Médicos que dedicaram a vida pela Oncologia. Que sejam dignos nos trâmites de suas decisões. Que sejam abençoados por Deus. Que tenham a capacidade de adentrar na intimidade do Campo Psi: não só dos enfermos, mas de todos os familiares. Que tenham forças, que racionalmente os levem a ver: parâmetros que possam distinguir... “Eutanásia”, Distanásia e Ortotanásia: e que prioritariamente em nome da dignidade da vida e da morte: que lutem contra a “indulgência” de distinção de “pacientes terminais” para que não haja o estigma determinado em “star”, que a meu ver... É desnecessário.

O poema é fruto da sensibilidade que me fez susceptível (Traço Natural Depressivo), e sempre obstinado por algum fator, e às vezes, não compreendido como fui... Por Juntas e Conselhos de Medicina: quando muitos Médicos, não consideram atestações Psiquiátricas: querendo uma prova material do “abstrato” que desconhecem; e que lamentavelmente só “entendem” de Alienação... Se é que entendam. 

E não só o doente é o “ponto sensível” e talvez, sejam mais vulneráveis, seus familiares: e independente da gravidade da doença; nutre “algum fio de esperança” que devemos estimar: enquanto viva. Não podemos subestimá-los nem com “gestos”, nem “cochichos”, nem descaso, e nem com “Choros”... Imaginem-se assim... Desaforados: quando para eles somos (O Médico), o que eles vêm como... Os “Anjos da salvação ou da piedade”. 

Nem as bactérias querem morrer: elas procuram resistir a tudo: a todos os antibióticos seja qual seu modo de ação: e resistir até as próprias células de defesa. Oportuno lembrar: os extratos de Vitelos (Timomodulina), ver Talidomida, ver “um todo”, (não esqueçam um detalhe, que seja o uso de um Anti Depressivo salvo se contra indicações) bem como ver: cientificamente as alternativas naturais existentes como: A Tiborna ou “Cola-Nota” e “outras”... Mas isto depende do interesse do “mundo científico” por que não podemos submeter alguém, cobaia. 

Em resumo começamos com Tales de Mileto (Teorema de Tales), caminhamos em sentido contrário a verdade a sombra de duas expressões: “Conheces a te mesmo” e “Só sei que nada sei”, e se sabemos não compreendemos, e divagamos em Hipócrates, mas para a compreensão de tudo: devemos nos concentrar em Platão (discípulo de Sócrates) – Livro VII, EM: Mito da Caverna, ou: Alegorias da Caverna: ou Parábolas da Caverna, que conceituadamente conta o que os Homens teriam dificuldades para entenderem: confessando a “minha”, a tua, as nossas próprias ignorâncias assim: 

Que vivemos tão presos em nós: que nos acostumamos tanto às ilusões: que não queremos acreditar que a vida é um sonho: e que preferimos sonhar que ver: a realidade exposta à frente. E que não queremos por ignorância: sair desta “caverna”: mesmo que a mesma; de velha desmorone sob nós mesmos... E ver a Luz ou a Escuridão, pois a luz pode cegar alguns. E seria demais exigir dos outros esta compreensão; quando nem nós próprios, estamos preparados para isto... Quer seja a mesma... De luxo ou de “lixo”. E sempre iremos exigir dos médicos... Eles não são “Santos”... Conhece algum? Informa-me quem! Sei que em função: por analogia: são semelhantes aos componentes de “Corpo de Bombeiros”. E se a tua Caverna “pegar fogo”, aciona-os... Eles farão a mesma coisa em qualquer “incêndio” as suas e serão os primeiros a exigir tanta água! Que não fique: qualquer vestígio de “fogo de monturo”... “Em mim: “Um “balde d’água” e cuspiram em cima... Não precisavam... Restou-me o Mar! Independente dos riscos. 


Quem de nós! (diferentes de Cristo) Poderíamos entender esta narrativa: 


“Mas ó cidadãos, talvez o difícil não seja fugir da morte. Bem mais difícil é fugir da maldade, que é mais veloz que a morte. E agora eu, preguiçoso como sou, e velho, fui apanhado pela mais lenta, enquanto os meus acusadores, válidos e lépidos, foram apanhados pela maldade. 


(Ele já havia sido julgado a morte)... 


“Porque morrer é uma outra, desta duas coisas: ou não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro. 

(Mantém o bom humor e diz)... 


“Que se ele tem que ir para o Hades (o próprio inferno), pelo menos poderá conhecer e conversar com os ilustres homens do passado (no meu caso conversarei com mais... Com os do passado, com os do presente e, com os do futuro, pois Conselheiros e Juízes, não quiseram ouvir as minhas alegações). Poderá conversar com Homero, Hesíodo, Orfeu, Agamêmnon, Aquiles, Menelau, Ajax, Odisseu e tantos outros heróis, reis e grandes homens e diz: que se tudo realmente for possível, para ele está tudo bem”. 

Em 399 a. C, é sentenciado por seus crimes (dizer a verdade) a beber veneno feito da Cicuta, planta venenosa de efeito similar ao veneno; da Crotalus durissus collilineatus. Teria mandado seus discípulos pararem de chorar, por que afinal aquilo não era o fim de tudo e ele iria para um lugar melhor. E quanto à morte, isto chega para todos um dia. 

Nietzsche por rejeição, via nele “o aniquilador” do Mito em nome da razão... E preferia “o Mito”, mesmo que não representasse: a razão e a verdade. 

Ciente dos benefícios da Quimioterapia e Radioterapia... Mas ciente da resposta individual: cada caso; um caso... Subscrevo-me. 



Dr. Ademar Raimundo de Barros.

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