domingo, 14 de dezembro de 2014

Vandalismo

Vandalismo


Meu coração foi dividido em... Dois ou três, ou mais/ Tem Catedrais imensas e botequins ruins/ Pode-se ver luz e cânticos virginais das crenças/Como noutros veja a ronda triste da desgraça humana/ Um veja nuvens de amor em serenatas/ Noutros; prostituídos! Prostitutas! Pervertidos...  Fins, afim, afins.

Meu coração foi feito de pilastras/ Não! Pelas mãos trêmulas de algum vagabundo/Um só pra mim bastava, mais nenhum/ Pois não iria ver cintilações Neon de lâmpadas/A decorar “chorinho” em caixa de fósforos/ Podia ver as Ametistas e os florões e Pratas/E nunca ver o choro, a tosse, o escarro... De quem levou um bofetão na cara.

Bate o coração! É massificação! Não é Paródia/E faz tremer os Templos... Góticos e Barrocos/ Isso é piada suja, nódoa Literária/ Que faz erguer os gládios e faz brandir os Sinos/ Pois o “Vandalismo” de Augusto é histórico/ E Néscio é... Incauto, xucro, insano/ Iconoclastas mãos... De “Bandalhismo” mesmo.

E de repente o riso fez-se morte/ Alguém subestimado dispara... O “Tempo se abruma” / Quebra a imagem dos quais... “roubou-lhe os sonhos” / Das bocas que se beijavam... Jorram “espumas” / E “baba e gosma, e vômito, e sangue”... Quebram o encanto da Televisão/ E de repente da “calma” fez-se o vento/ E mais que de repente... O vento se fez “vulcão”.


                             Dr. Ademar Raimundo de Barros.



Comentários do autor: Não será fácil por tratar-se de uma crítica que possa ser considerada incipiente, neste Universo abrangente da Literatura. Concordo plenamente com a ou conceito de Poesia Práxis onde podemos destacar: Mário Chamie e Cassiano Ricardo quando se contrapõem a Poesia Concreta “em termos”, não da exclusão do concretismo como forma de comunicação literária, mas vejo algumas, cercadas de malabarismos “individuais” desnecessários e mesmo não sei se queiram seguir Drummond em busca da poesia mais feia: e transformá-la posteriormente em “algo inédito” em intelectualidade.
Mas de longe perdem para o malabarismo vide vídeo:


 Veja o “concretismo” antológico do Poema EPITHALAMIUM-II. O que vejo... O pronome pessoal em Inglês, She, esculpido em forma desenhada, e a necessidade de complementos ao lado, para melhor entendimento. He & She, e: ele e ela: a justificativa do She... Em serpens, homo e Eva.

Abre-se um espaço para quem possa considerar como Poesia  Concreta estes três fonemas distribuídos assim: “Eu... Sem... Você... (Não fecho aspas), pois abro alas para o “Mestre Vinícius de Morais em... Samba “em Prelúdio”.





Mas o motivo da crítica está em “BANDALHISMO” (disco: “Bandalheira” de João Bosco) colocado literalmente como paródia a um dos poemas do poeta lírico, considerado no conteúdo geral como antilírico do que discordo, como discordo nas Interfaces Linguísticas da morte do: “eu lírico” que em meu entender: nunca morrerá. Veja: “Vandalismo” na concepção Augustiniana:






 “Meu coração tem catedrais imensas/Tempo de priscas e longínquas datas,/ onde um nume de amor, em serenatas,/canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas/ Vertem lustrais irradiações intensas/ Cintilações de lâmpadas suspensas/ E as Ametistas e os florões e pratas.

Como os velhos templários medievais/ Entrei um dia nessas catedrais/ E nesses templos claros e risonhos...

E erguendo os gládios e brandino as hastes/ No desespero dos iconoclastas/ Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos.”


Não há a menor condição de se considerar como Paródia, “versos” como estes e valorizar na Mídia Massificada isto; com conotação de Paródia, banalizando umas das construções verbais de um dos Ícones da Literatura Brasileira.

“Meu coração tem butiquins imundos/ Antros de ronda, vinte-e-um, purrinha/ Onde trêmulas mãos de vagabundos/ Batucam samba enredo na caixinha.

Perdigoto, cascata, tosse, escarro,/ um choro soluçante que não péra,/ piada suja, bofetão na cara/ e essa vontade de soltar um barro...

Como os pobres otários da Central/ Já vomitei sem lenço Sonrisal/ o P.F. da rabada com agrião...

Mas amarelo do que arroz de forno,/voltei pro lar, e em plena dor-de-corno/ quebrei o vidro da televisão.”

Nem isto:
“Barra Dolls” – Vandalismo.

“Postes quebrados, brigas de gangues/ Violência, medo e muito sangue/ A polícia chega e mete o pau/ Mas todo mundo é marginal (marginal).

Carros roubados a todo instante/ Cafetões, viciados, traficantes/ Consumindo vidas de estranhos/ E vivendo no limite de um vândalo (vândalo).

No tiroteio qualquer um leva bala/ É melhor ficar em casa, é melhor ficar em casa/ É só começo de madrugada/ Será uma noitada, será uma noitada.

Vandalismo, baby/ Bem-vinda ao Pólo do lazer/ Vandalismo, baby/ Se subir a ponte não tem hora pra descer.

“E erguendo os gládios e brandino as hastas,/ No desespero dos iconoclastas/ Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos.”*

·        E ainda denunciam: a última estrofe pertence ao poema “Vandalismo”, de Augusto dos Anjos, quando deveriam assumir-se a maneira de: Cazuza em: vítimas do Vandalismo, ou como os Vagalumes em: Vandalismo Sonoro e outras composições.


Mas como tudo que é “moderno” se contrapõem aos valores racionalistas e materialistas da sociedade burguesa (parece que estamos), ou estávamos, num Regime Imperialista, Comunista, Extremista, ou Ditatorial (Ditadura ou Ditamole?), que certos escritores do Romantismo, criaram uma literatura fantasiosa, identificada com um universo de satanismo, mistério, morte, sonho e loucura e degradação, e ao julgo maior de entendimento, trata-se da tradição gótica! Que até hoje encontra representantes na Literatura, na música e no cinema... A meu ver: de mau gosto, consumista e retrógrada... Vende-se qualquer coisa. E o estilo gótico adquire a arquitetura das cavernas, e para minha surpresa: Rita Lee e Raul Seixas (meus ídolos) são transformados em satânicos: madrinha e padrinho desta nova escola cujas músicas e letras batismais são: “Doce Vampiro” e “Rock do diabo”.

Acho que deve ser repensada esta classificação literária, posto que: ou estão no Surrealismo ou no Ficcionismo (inexistente? Criem!) em alguns de seus gêneros: comédia, drama, suspense, erótico, sádico, masoquista... Faz-se necessário definir o “espaço” imaginário para o status quo dessas sociedades alternativas, que veem nessa “tradição” uma forma de protesto contra a ordem social.




É meu dever, reverenciar Vinícius de Morais em (Soneto da separação).

“De repente do riso fez-se o pranto/ Silencioso e branco como bruma/ E das bocas unidas fez-se espuma/ E das mãos espalmadas fez-se o pranto.

De repente da calma fez-se o vento/ Que dos olhos desfez a última chama/ E da paixão fez-se o pressentimento/ E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente não mais que de repente/ Fez-se de triste o que se fez amante/ E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo distante/ Fez-se da vida uma aventura errante/ De repente, não mais que de repente.

Agora, parodiar estes “monges sagrados” da Literatura Brasileira, não é tarefa para qualquer um: tem que ser bom e não vulgar: e compreender acima de tudo que: Augusto dos Anjos, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais e tantos outros, devem ser relembrados mil vezes, antes de qualquer posicionamento crítico ou banal. Veja e procurem mais uma vez, analisar Manoel Bandeira a quem já me posicionei tentando entender com profundidade o poema: A Onda, onde o mesmo recita assim: “A onda anda/ aonde anda/ a onda?/ A onda ainda/ ainda a onda/ Aonde?/ Aonde?/ A onda a onda”. Chamo mais uma vez a atenção dos alunos pré-vestibulandos do CTPM/RO e de outros: quando me posicionei nos “Anônimos da Poesia e da Arte” em: “As Outras Ondas”.

Detenham-se noutra alternativa observando a intimidade Biográfica do poeta. A crítica posiciona-se através de alusões de Fernando Pessoa assim: “o poeta é um fingidor, e é capaz de fingir que é dor a dor que deveras sente”. Mas não vejo assim: Bandeira era um supersincero consigo próprio, mas escondeu em “Poesia Concreta”: “A Onda”, que poderia sinalizar para a sua doença (Tuberculose) a denominando de “onda” por que naquela época era uma doença praticamente incurável devida o desconhecimento das drogas hoje utilizadas, e mesmo assim: a Tuberculose ainda é... Onda. E quando ele diz: “A onda ainda, ainda a onda, aonde? Aonde? A onda a onda”... Poderia estar falando de uma recidiva da doença que em certo estágio, pode se localizar em diversos locais do organismo.

Da mesma forma sofreu com a mesma doença: Augusto dos Anjos, daí a ênfase sombria que possa envolver as suas poesias... Jovem, porém ciente e bem talvez com mais dificuldades financeiras que Manuel Bandeira, que tentou tratamento inclusive no exterior... Augusto era um excluído, e talvez por essa razão qualquer iconoclasta queira tirar “uma casquinha” no “Mito”. Quando diz: “No desespero de iconoclasta, quebrei a imagem dos meus próprios sonhos” por que no seu íntimo coração, só poderia existir: templos, catedrais e igrejas... A fé substituía a inexistência de tratamento, e neste exato momento: ele era possuído pela descrença em santos e credos.

Agora, os senhores da Paródia podem ouvir uma das poesias de Manoel Bandeira, e ler em memória, a Paródia de autoria dos “Anônimos da Poesia e da Arte” em: “Vou-me embora pra Pasárgada”, logo a seguir:




Vou embora pra distante, vou pros céus/ Lá! Sou amigo de Deus/ Lá! Tenho a minha mulher que já morreu/ Tenho cama, tenho calma... Uma santa me espera/ Num lugar... Chamo Pasárgada/ Que nunca vi... Mas sou amigo do rei.

Querem mais:
Aqui eu não fui feliz/ E lá feliz... Joana Louca/ Que foi rainha e demente/ Talvez possa ser a “parente” / Que nunca tive ou não vi/ Como outros... Inconsequentes/ Que me deixaram infeliz.

Quer mais:
“O alcaloide é a simbolização de antidepressivos”. O telefone é a falta de comunicação: e as “prostitutas bonitas” eram santas... Só iriam servir de adoração.

Resta um posicionamento da Academia Brasileira de Letras em nome de seus Imortais, que em nome do excesso de Liberdade concedida, são vilipendiados por pessoas normais, incautas por que não assumem com a mesma ética de Claudinho e Bochecha, das “Mamonas Assassinas”, num trabalho sério, comedido, mesmo incluso no mesmo estilo jovem, mas assumidos na sua própria criação, sem o uso inadequado e o desrespeito aos mortos... Ilustres alicercem da Literatura Nacional... Eu jamais poderia divulgar a Prece: “O pai Nosso” da seguinte maneira:

 “Pai nosso que não estás nos céus/ Que não seja santificado o teu nome/ Que não seja feita a tua vontade/ Nem aqui na terra e nem no céu/ Que seja feita a vontade do Diabo/ Lá nos confins dos infernos/ Amém!”... Por que isto não é Paródia... É um insulto a religião.



                        Dr. Ademar Raimundo de Barros.


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