segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Irreverências

Irreverências



Tão Longe!
E muito mais longe do que a distância que nos separa
Além desses caminhos que provera levem-nos
A Santhiago da Compostura que nós perdemos
A Santo Antônio dela Cuesta ao qual nos associamos
Nessas Ideologias sem sentido
Nestes jogos afins, e não afins,
Nestas Romarias sem fim, e desmotivadas;
Na sucessividade de escândalos que surgem
Hora a hora
Quando não vindos das Cinzas
Vêm do nada
Ou de um todo
Que ilumina a Mina escura, e funda,
Deste inferno dos Céus
E o fim de tantas vidas
Onde os Deuses fizeram aqui
Inclusive as suas
Nestas litanias que imploram:
Esses “Filhos de Gandhi”
Estes “Filhos de Maria”
Esses devotos Paulinos
E respeitem
Os Arquétipos, e Exóticos filhos;
Quer sejam de... Sodoma, ou de Gamorra;
Quer sejam “ungidos”
Pelos Divinos vindos de Espíritos Santos
Quando a Reza pede que se reze
Nos mesmos termos dos desterros
Que deflagam os Golpes
Os de sempre
Oriundos dos mesmos Calotes
Filhos das mesmas Moratórias
E “Primos” dos prostergos das últimas Concordatas
E da anistia de todas aquelas dívidas se possível;
E sem perdas e danos
Como Parabólicas de Narcisos... Antenas só pra si
O que inculca a tantos
Que vivem numa ansiedade bem maior que a ânsia
Nessa megalomania construída
Nesta “hipocondria” que contesta
O medo do horror
Mas prega a Acrofobia por defesa
Sem ter medo do Som
Aves “dolorosas”
Que perdidas seguem a própria trilha que traçaram
Neste destino incrédulo, e neblinoso,
Na saga que se entrétêm.
Abutres que “detestam o desespero”
Deste Budismo Moderno
Até que um Urubu traga-lhe a sorte
Na Hidroxi Uréia presente na secreção
De sua própria Bile
Ou no seu Sangue
No Talo das suas Penas Pretas
Dispersas nas Glândulas Urupigeanas
Não da Saliva da Língua
Nem das garras das Unhas que arrancam
Nem das talhas ávidas dos Bicos
Nem na mistura fétida de sua Cloaca
Mesmo que haja de dever explicações
Sobre a sua Loucura
Da qual não só, a Psicologia é refém;
E que mesmo sendo
Vencido, ou vencedor,
Monstro da escuridão,
Anjo! Cuja rutilância embaraça a todos
Desde a epigênese da sua farta infância
Sofra, ou venha sofrer,
A influência má
Desssas oscilações dos signos do Zodíaco.

                                      Dr. Ademar Raimundo de Barros.

Comentários do Autor: Longe demais! Ao ponto que voltei aos Idos da Avenida Abel da Silva; que fica nas cercanias de onde nasci nunca cazinha de “Taipa”, e coberta de Sapê. Revi a Rua Silva Mariz, e a Fisionomia da minha primeira Professora; bonita! Morena cor de Canela; o nome dela... Diamantina. Eita! Cruz das Armas! Minha primeira Escola (tempo feliz), depois veio às novas Eras, e não se recitava mais: “Eu me lembro, eu me lembro; eu era pequeno e brincava na Praia, e o Mar bramia; e ergendo o dorso altivo sacudia; a branca espuma para o Céu sereno”... E não se recitava mais: “Meus oito Anos”; nem se importavam mais com o “Meu pé de Laranja-lima”; e meus Pelos já eram Púberes, e Axilares; e os primeiros sinais de Barbas já sobresaiam-se pelo Mento, e a minha voz já não era mais a mesma; e já podia compreender: Ave Dolorosa, Budismo Moderno, Psicologia de um Vencido, e me apaixonar pela Obra Literária de Augusto dos Anjos; mas de Cassimiro de Abreu guardei algumas Pétalas dos “Anos Dourados”.
E se houvera alguma delação, poucas ficaram conhecidas; ou fora Calabar, ou Silvério teria sido; e se houvera alguma Lenitência sim, a ser cumprida, fora já paga pela escravidão: e a Princesa Izabel surgiu como heroína; mas já havia sim, tanta propina, nos dividendos da abolição: e a nossa Águia Maior; era de Haia, mas no consenso geral: Caxias era “o Cabeça”; e Deodoro passou por uma “Fria”, pois o dono da “Teia” chamava-se Floriano. E quantos Judas sofreram sem ser Semanas Santas, e sem ter insurreição como a qual: somente o Tiradentes foi destinado a Forca; e depois de morto foi esquartejado em Praça Pública, e sua Cabeça um símbolo pendurado do Poder: por Libertas Quae Será Tamém, como Frei Caneca na Confederação do Equador... Eram essas as coisas sombrias contadas nos Livros de História da minha época: e pouco se falava em Zumbi que fora Rei; mas pouca coisa fora lá pras bandas Palmares, e de Antônio Conselheiro, poucos! Sabiam da sua vida: mas Lampião meu Deus! Todos sabiam: idolatrado, e respeitado nos Sertões, e só morreu por que por matar por aqui virou Zona, mas pobre do meu Padrim Cícero Romão: que despertou inveja na Igreja; homem de bem, mas para o Latifúndio; um perigo, pois sabia demais, e ainda o reverenciam sim! Serenos... Nem pragas no Sertão, nem Velas, nem Caixão, e nem Mortalhas: para se ter a Ilusão de Paz, para matar a alusão de Secas, para minimizar a própria realidade existente; e não recite-se mais... Morte e Vida Severina. E o império das Lenitências possa imperar, perante Assírios, e Caldeus; e os que ainda buscam as Nascentes Férteis destes Chãos: sem a presença de um agente delator:
Que nada!
(Se) O Dinheiro manda
(Se) O Saldo que fica é compensador
(Se) Posso recomeçar tudo de novo
(Se) A Lenitência pune na equivalência: se só tem você; é você, e sempre será você: os Grandes mandam;
E o Tempo encara
Oba! Eba! Olimpíadas
Tiba Truque neles Esquindim!
Tom e Vinícius vencem num samba de uma nota só
Não como o Tatu Canastra que perdeu de 7X1,
Pois esconderam a Bola;
E por que não Tainá
A indiazinha viva
E o Sacy Pê-rê-rê... Que represente a Para
Mesmo que vestido em Vermelho
Mesmo Focomélico, ou amputado,
Ou então mesmo, pelo seu Cachimbo;
E tão discriminado pela sua cor
Negra! O protótipo legítimo Africano
O “Esquisotipo” do Escravo... Do qual
Originaram-se:
Cafusos, Mulatos, e Mestiços,
Cruzados,
Benzidos, e Franciscanos.
Bendito sejas tu! São Benedito
Que não apareceu, nem foi aparecido,
A algum devoto
Dos Deuses, ou dos Santos;
Mas o único
Que nos atende nos assombros, e assaltos,
Quando gritamos assim:
Valei-me meu Negro Santo!
E depois sem nenhum espanto...
Dez Anos de esquecimento.
Mas salve Exu!
E diz ser incorreta esta ilusão
De Fauna, e Flora;
Mistura de Soja, Gado, e Madeira:
De Ouro não!
Disto não se fala,
Posto que... “Não tenha nenhum valor”
Nas Terras “Haras” de Aluvião
Mas salvem os Orixás maiores
Que pensaram criar:
Viveiros de preservação
Aonde os Pirarucus aclamam
Não serem mais... Era Amenon
Como eram... As Tartarugas, e os Tracajás;
E tantos outros animais
Plim! Plim!
Nascidos no Zodíaco
E no mesmo Sígno das Baleias
Mas escolheram um Gato para atrapalhar
E para satisfazer a mal-me-quer
E a quem quer de novo ver
O Circo pegar fogo
Escolheram um Camuflado para confundir
E iludir a quem
Já esqueceu a Copa
Conselho é bom
Mandem estas Olimpíadas para o Canadá
E se este quizer
Senão... Que nos Emirados Árabes fiquem
Ou dera Deus!
Que o Catar queira-nas para si.



Sem mais
Dr. Ademar Raimundo de Barros.



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