Meu único, e último...
Conto
Eu lembro-me de Bom Jesus da Lapa na Bahia. E
de uma história contada por um “Filho de Lapa” de nome Djalma: encarregado de
uma pequena Lanchonete que havia ali, ou que ainda há: aonde nas Manhãs e
Tardinhas, aos Sábados, e Domingos; ou nas Noites dos outros dias da Semana;
“paus d’águas” amigos meus, e cúmplices dessas “bacantes” vividas: encontrávamo-nos para falar das coisas da vida trivial, e da Cidade, mais da
vida dos outros do que, das nossas próprias.
Lembro-me do Professor Agostinho que diziam
ser Maçom, de um Sgto Radiotelegrafista da FAB com sua insônia “histórica” que
nos “Cabarés” de Lapa se “escondia”, mas que não procurava mulher; procurava
amigos para conversar, mas que não ouvia; era portador de Síndrome desconhecida
naquela época: LER nos seus próprios tímpanos: e assim ele matava o tédio, e o
tempo, e sua mulher que conheci não se importava, pois ela reconhecia a causa, e
as consequências de seus tormentos.
Como não consigo esquecer um parecido;
Lunático que nas fases de “suas Luas”, para acalmar a nostalgia de sua alma,
nas noites quentes usava um Sax Soprano, e enchia as madrugadas com suas
melodias.
Lembro-me dos Comandantes das pequenas
Aeronaves, e dos passageiros da Nordeste Linhas Aéreas, ou Aero lines Linhas
Salvem-nos Deus! Como os Bandeirantes de outrora... Era a gozação das grandes empresas Aéreas naquela época.
Lembro-me
das pernas longas de um desses transeuntes que veio de passagem, e que ficou. Indiferente
peregrino de seu próprio destino; filho da Torre, Bairro de João Pessoa-PB; mas
que naquela terra distante, nos Bingos; beneficentes ou não: a pedra Onze, era a
sua canção, o seu apelido era reconhecido, marcado, cantado, ou comemorado... “As
pernas do Canção”!
Djalma contava-me (quando a conversa era
política) que um Prefeito que não conheci, e que ele o refrutava como: a
inteligência da ignorância; homem popular daquelas “brenhas”; daquela terra,
mas que havia Primaveras nas suas palavras; simples sertanejas parecidas “alpergatas’
da verdade”. Contava-me que o Presidente Jango (quando Presidente, e investido
da função Presidencial) fez uma visita a Lapa, pois queria conhecer a Serra dos
Ramalhos, onde se desenvolvia um protótipo de Reforma Agrária, nos Moldes de Agro vilas em número de Nove, depois Dez, Onze... Tendo um delas, como Agro vila
Central; hoje! Cidades.
O “tido” ignorante Prefeito fez a sua parte
(numa época que se havia Zumzumzum; não era como agora), e mobilizou a Cidade,
e organizou um Banquete; e em cada esquina pôs: Churrasqueiras improvisadas, e
Churrascos (quantos Bois, não sabem); fogos de artifícios distribuídos, e
outros colocados em pontos estratégicos para chamar a atenção (não mediu
preços, nem consequências); Cerveja, e cachaça “da boa” por toda parte, tudo
grátis... E a responsabilidade sua, ele! Era o Prefeito, e sabia muito bem o
que estava a fazer, fazendo, ou feito.
Bandeiras de Jango, do Brasil, Faixas
alusivas, Foguetório, Festa, Vivas! Salvas! Salvem! E o Prefeito de Bom Jesus da
Lapa satisfeito... Havia recebido com honras de Estado, o Presidente da
República dos Estados Unidos do Brasil.
E pouco tempo passou e veio a Revolução de
1964, com todos seus; Rounds, e Revanches, e Nocautes. Uns; técnicos, alguns;
Burocratizados, e outros; sumariamente sumários. Os gozadores de ocasiões, em
seus palanques fizeram a “caveira” do Prefeito, e os futuros Biônicos fizeram a
festa: quando souberam que viria a Lapa uma comitiva Militar para prender o
Prefeito por subversão ativa, por Ideologia Comunista; não o demitiram à
distância, pois tencionavam prendê-lo algemado perante o público numa
demonstração de Poder. E a oposição se mobilizou com Bandeiras, e cartazes;
Viva a Revolução! Lamarck foi morto aqui! Não! Aos Comunistas! Fora!
Guerrilheiros! Salvem-nos meu Bom Jesus! Excomungue-se Fidel! Morte aos adeptos
de Guevara! Fora esse Prefeito Subversivo! E o Prefeito na dele. Tapinhas nuns:
tapinhas noutros; pinguinha aqui! Pinguinha ali! E sempre repetia; calma!
Camaradas! Meu discurso já está prontinho, aqui! Na minha cabeça.
Como possuía maioria na Câmara solicitou
Vênia aos apavorados e disse-lhes Não! Guardem suas faixas para depois, pois
vou repetir de forma maior, o que foi feito antes; porque eles hoje representam
a autoridade maior neste País; e se eu não convencê-los, mostrem suas faixas, e
façam bom uso da Cerveja, da Cachaça, dos Churrascos, e esqueça-se de mim,
tenham-me como preso.
E chegou o dia em que a comitiva chegou; por
Terra, e Ar. Pense quantas autoridades num “pacote” só. Pense nas Filosofias
próprias as figuras típicas de Kung-Bó; a grossura atípica de um Kung-Fu, e a
Mania Lírica de um, Pedro Bó. Só faltava ao cenário segundo o Djalma; Tanques
de Guerra, e Canhões; ou Aviões Caças, ou Disco Voador... E a fisionomia
Nordestina se dirigindo sem saber a qual autoridade era a Maior; tantas
estrelas tinham; com Gemas, ou sem Gemas... E toda esta comitiva tomou o
primeiro susto no caminho que a conduzia fortemente armada em direção a
Prefeitura.
Fogos de artifícios, vivas! E festa,
Bandeiras do Brasil, Fotos dos Líderes da Revolução, Cartazes, e mesas de
“Banquete” em cada esquina; e a torcida organizada do prefeito dando vivas; a
Revolução.
E alguém em voz alta perguntou ao Prefeito:
- Foi você que recebeu o Jango com tantas
Honrarias não cabíveis?
- Sim! Meu Senhor
- Por qual razão, e por quê?
- Pelas mesmas razões que me justifico
recebendo vocês
- Mas você sabia que estava recebendo um
Comunista?
- Sim! Excelência; como estou recebendo
vocês, cientes de que não são.
- Ora! Você já está me chateando; explica,
mas não justifica.
- Desculpas Excelência! Mas só agora é que
estou sendo solicitado justificar-se, e vou me justificar, e lhe explicar ao
mesmo tempo; entenda, ou não entenda o Senhor.
- Excelência! Eu sou apenas, um pequeno
Prefeito, desta pequena Cidade da Bahia, que sobrevive graças a Romaria do
Senhor Bom Jesus da Lapa que Deus nos enviou, mas que dependo dos Deputados
Estaduais, e Federais desta Terra, como dependo também da Presidência da
República; e tem mais: esta Cidadezinha aqui com Cinquenta (mais ou menos), Mil
habitantes; na época da Romaria dá pra se contar uns Centos e Cinquenta mil
Romeiros, e tem mais “Pau de Arara” que o povo daqui, e se vem algum assassino
no meio; com certeza ele vem pedir perdão ao Bom Jesus, e as casas viram hotéis,
as ruas viram dormitórios, e os estacionamentos; moradias provisórias.
Não blasfemo nem com as cheias do Velho
Chico, com as quais já estamos acostumados, e estaria pecando se não
acreditasse no poder das nossas “Carrancas”, que o Bom Jesus abençoou-as; nem
posso negar que as pessoas que veem de fora com suas doenças, movidas pela fé
de aqui encontrar a cura, elas não possam entrar, pois estaria sonegando os
milagres do Bom Jesus; sem vos contar que o único Hospital Público que
disponho, é mantido pela FSESP, e temos a obrigação de cuidar dos doentes que
chegam de tantas Cidades ribeirinhas; das circunvizinhas, e das outras que vem
destes Sertões; dessas terras “mazelentas” onde os “Cerrados” reinam, e a relva
não serve para o Gado, onde Lagartos dormem sobre pedras; e no meio das pedras...
Cobras venenosas.
E eu não teria nenhuma razão para esperar o
Presidente desta República, respaldada pelo voto popular, e pela Constituição
Nacional; com Arcos, e Flechas; Tacapes, e Zarabatanas; nem com tiros de
Espingarda, nem com tiros de Canhões, pois nem Antônio Carlos Magalhães,
Sarney, Tranquedo, Carlos Lacerda, Milton Campos, Magalhães Pinto, Leonel Brizola, nenhum naquela ocasião faria isto; e bem pior, não teriam feito um
terço do que eu fiz; e por falar em terço, leve este do Bom Jesus, e diga ao
Presidente atual que é um presente que estou oferecendo em nome do meu povo, e
em nome da minha administração; e quantas vezes vocês vierem aqui, serão
recebidos por mim, deste meu jeito desajeitado, mas festivo... Agora!
Justifiquei-me ao Senhor?
- Ainda não! O General retrucou.
- Quem foi daqui que deu alguma assistência
ao Lamarck? Foi o Senhor?
- Que é que é isto General? Quem deu
assistência ao Lamarck, foi o Terror!
- Nada estou entendendo! Apesar de saber que
ele era amigo, e muito amigo do Terror, mas como o Terror era amigo dele, posso
compreender.
-Ah! O senhor sabia que ele era amigo do
Terror, por que então vens à cata de mim; logo eu que conheço tanto o Terror,
mas não sabia que aquele severgonha estava por trás de tudo isto.
E o General ficou pensando; este cabra é meio
doido mesmo, e como não quero voltar doido pra Brasília, o papo está encerrado;
mas vou lhe fazer a última pergunta.
- Seu Prefeito!
- Sim Senhor!
- O que o senhor tem a dizer do Fidel, e do
Guevara Che?
- Falou Inglês Doutor! Eu sube por aí em
conversa de Buteco, e de Puteiro; que o Jango era meio amigo desse tal de
Fidel, mas tem Castro no mei, não tem? Agora esse tá de Quevara Tche! O Sinhor
não tá brincando comigo não; né! Pois aqui perto tem (dois) “lugar” bem bom pra
gente vê; e se o Senhor quiser ir lá! Mando buscar agora! O Miguelzim “Camisa
Preta”, ele é o “chegado” das muié! O Cara é bom, e o melhor segurança, em; Maria
Gorda; Maria Santa, e no Vietnã, e em qualquer “buraco” aqui de Lapa.
- Vietnã! Gritou o General de olhos
arregalados
- Calma meu General! Nun é isso que o Senhor
está pensando não, lá era Guerra, aqui! É outra coisa; muié num farta; e eu e
Miguelzim, junto com outro caboclim daqui, não se incomoda? ... Pagamos a conta, e toda sua rapaziada vai
gostar, putaria é pouco, vamos lá!
E o General para espanto de todos, apertou a
mão direita do Prefeito, riu de si, pediu desculpas, e avisou; daqui a quinze
dias vem à autorização para sua continuação no Mandato.
Mas saiu sem saber de várias coisas... Quem
era o Terror... Nem o Vietnã... Nem Maria Gorda... Nem Maria Santa... Nem
Miguel Camisa Preta.
Tempos após, eu tive o prazer de conhecer “O
Terror”; ele havia exercido a função de Médico clandestinamente por que não era
Diplomado, mas o Djalma me confidenciou que não havia por ali, médico melhor.
Fora ele um dos primeiros médicos da Cidade, e até “as Elites” passaram por seu Bisturi, sã, e salvas; e sem botar defeitos, e ai! De quem falasse mal do cara;
até que um dia alguém o dedurou; que ele não era Médico, e ele teve que
“fugir”.
Cheguei um dia, através do Djalma, a
conversar com ele, e ele próprio mostrava um interesse tamanho que eu o
acompanhasse para o Mato Grosso do Norte; dizia que havia muita Malária, mas o
tempo o ensinou lidar com esta Endemia, e Epidemia em algumas situações; mas
para ele valia mais agora, o Ouro; e Ouro havia demais por onde andara. Não
quis acompanhá-lo nesta missão, pois meu destino seria os Garimpos de Ouro do
Teles Pires, e do Peixoto de Azevedo; hoje! Cidades; ontem! O inferno verde, onde
nas barranqueiras dos Rios nasceram essas Cidades; que muitos anos depois,
depois de ser aprovado no último Concurso Público para a FSESP (1990), e fui
designado para trabalhar em Terra Nova do Norte; e mais uma vez o destino me
disse não!
Na primeira oportunidade tinha contra mim:
três filhos pequenos do primeiro casamento com uma Odontóloga; para nós, lucro,
para eles, um futuro incerto e duvidoso. Na segunda oportunidade já no segundo
casamento: duas filhas menores, e uma mulher formada em Enfermagem; que não
havia passado no Concurso, e para complicar mais minha vida, nesta oportunidade
foi descoberto que ela era portadora de Leucemia Mielóide Crônica... E o que
seria de mim? O que seria dela? O que seria de nossas filhas?
Pensar só em mim; nunca?
Mas de que me valeu? Pouco tempo depois
estava novamente separado, pois o desejo de minha ex-esposa, era terminar seus
dias de vida com sua família. Tentar Transplante de Medula para ela, eu tentei,
mas foi em vão: seu irmão médico convenceu a família que aquela tentativa era
experimental, e que minha pressa girava na medida de ver-se encerrado o caso:
ela morta, e eu viúvo; donos das Filhas, e do pequeno patrimônio que um homem
honesto hoje pode construir.
Pago por isto até hoje, mas a minha consciência
não! E há mais de 17 anos, pude construir outra família.
OBS - Lamento a impossibilidade de exibir o Vídeo; Especial Bom Jesus da Lapa - 05 de Agosto de 2013, aonde se divulga: Bom Jesus da Lapa; seus Artistas; a Religião Católica, pois há a afirmação... Este Vídeo não existe; quando existe! Fará falta; mas faz parte deste jogo... Eu! Conheço.
Dr. Ademar Raimundo de Barros.
Comentários do Autor: Talvez seja meu
penúltimo trabalho, pois quero concluir tudo com uma Poesia (a meu jeito).
Muitas coisas tem me desanimado; muitas situações são ofensivas; outras situações
são ostensivas: e não suporto viver sob nenhuma pressão, basta-me Deus! Para
que eu possa obedecer aos seus principais Mandamentos; viver o seu Verbo; e me
contemporizar na reflexão de suas palavras.
Mas eu não me posso distinguir de quem por fé
se liga a Deus, tomando por Elo; imagens, pois através de Mitos chegamos a
Deus, como não posso admitir que um Livro colocado debaixo do Braço; cotovelos,
mãos, e sovacos de “Cobras” seja este Elo; quando instintos afastados de Deus,
afloram destes mesmos Braços; dessas bocas que se dizem, salvas! Salvos! Somos
os verdadeiros filhos de Deus; desgraças aos outros.
Sou este transeunte entre; Pirâmides, e
Templos; pouco me importam que sejam Igrejas, ou Sinagogas; pouco me importa
seus rituais, ou Ritos; importa-me a Ideologia, e a Política que possam se
agregar, ou se agreguem, a uma Filosofia extremista... ”Mate em nome Deus”,
pois é uma contradição ao seu primeiro Mandamento...
- Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo
como a si mesmo, e complementa...
- Não matarás.
E orienta...
- Não roubarás; nem desejeis aquilo que não é
teu.
Só bastam-nos compreender estes três
caminhos, pois se, e somente se; eles forem seguidos, se não estivermos ao lado
direito, ou esquerdo, de Deus; estaremos diante do seu alcance.
À Bom Jesus da Lapa; meu berçário; minha incubadora;
meu Santuário; Meu Porto; obrigado por tudo o que fez por mim, e que me
transformou neste Generalista que não nego.
Obrigado Roberto Eliziário de Souza; Nelson
Kanaschiro, Nilson Maciel, João de Caitité-Ba, Carlos Alberto Souto Batista, Flávio
Anestesista, Mestre Maurício - “Labareda “Siri dentro da Lata”; e a todos os Funcionários
da Unidade Mista da FSESP daquela época”.
Eu iria excluir nesta data (08/11/2014) por uma questão de "Espaço", este Comentário. Costumeiramente (na impossibilidade de Visualizar Páginas), uso o artifício de Atualizações; mas a Lapa faz parte da minha Vida, e não tive a coragem de excluir do contexto esta Postagem.
Eu iria excluir nesta data (08/11/2014) por uma questão de "Espaço", este Comentário. Costumeiramente (na impossibilidade de Visualizar Páginas), uso o artifício de Atualizações; mas a Lapa faz parte da minha Vida, e não tive a coragem de excluir do contexto esta Postagem.
Sem mais dos: “Anônimos da Poesia e da Arte”,
e dos, Desastrolados do Desconhecido.
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