sábado, 5 de outubro de 2013

Aos Médicos

Aos Médicos


Eles eram tão calmos, tão certos, tão humanos 
Eles eram tão brandos, tão salvos, tão sensíveis 
Por que se tornaram como “cicatrizes”! Se! Eram, 
parecidos com as flores
Como estas Primaveras que plantei... E não podei 
E cresceram demais, esqueceram as “cores”  
Só exibem nos galhos... Seus espinhos.




Eles eram tão meigos, tão mansos, tão serenos/ Eles eram tão belos como os santos/ Por que no tempo se modificaram e ficaram/Gelados como o “gelo”!/ Eles eram coesos e cativos/ Não pensavam ser rei! Nem ser “escravos”/ Eles eram como sonhos... Nunca! Pesadelos/ Por que então? Por que razão? Por qual motivo/ Eles “voaram” tão altos! Pro infinito!/ Tão distantes de nós... Que nos dá medo.



Será que voltam cedo, ou voltam tarde! 
E se for tarde! É certo nem me encontrem 
Já estou morto, e a consciência sabe 
E já fui posto em: “lousa” ou pedra fria 
A funerária me envolveu de flores 
“Maquiadores” fazem sua parte 
E bem provável que alguns... “Que chorem”  
Sei que posso vê-los... Não me iludo
E sei quem reze... A Litania das "Iavé"! Marias!




Amarelo! Ou propenso ao verde... Ictérico!/ Cianótico! Os lábios, ou pálidos como a cera/ “Borra” ao canto da boca e tinge a barba/De sangue contido entre os dentes/ Crispas as mãos extensas lado ao corpo/ Extensos os pés e pende ao lado o próprio queixo/ Olhos abertos que; virão fechá-los/ e “límpida” lágrima cai tímida do rosto/ E a alma “leve”, leva por desgaste/ A imagem tesa e tísica... Com desgosto.




Mas, que importa a um todo 
A mágoa, a míngua ou desprezo 
Que importa “ao mundo” os teus dedos 
entrelaçados as “mãos póstumas” ao peito 
Que importa o que! Qual foi a causa mortis 
Que importância tenha! Possa ter! 
Contribuintes como: tuberculose ou Hansen! 
Que possam omitir: Paracoccidiomicose 
E que se conste e ateste-se só... Hemoptise!

Mas eles eram tão seguros! Em “detalhes” / Os “convictos apóstolos de Hipócrates” / Tão restritos a “amiúdes” e “verdades” / Que razões os fazem ou que tentem/ Ou que possam me iludir e não me iludem/ Ou que pensam que eu possa fazer... Se não me cabe/ Eu, que tanto busquei, enquanto pude/ Fica posto que... Portanto, fica fácil/ Escrever “aquilo” que não devem/ Protegendo “outra vez”... A quem “não sabe”.

Tinha sede e que água!... “Era sangue”  
Respirar não podia... Era tarde 
Amarílico! Cianofílico! Como a cor do mar... Azul! Ou verde! 
Não! Nem tanto! Como a cor do Césio 
Era primo-irmão do: Mercúrio, Chumbo ou Enxofre 
Era íntimo da carboxihemoglobina... “Sua amante”  
E era filho da “vida” e da “morte”.
Era fixo, estático como uma “pedra”... Era imóvel/ Era “galho” cortado d’uma árvore/ Era sobra do “corte”... Do “serrote” / Já não era mais convive de “Krebs” / Era “Methemeglobina” consistente/Era “espástico!” e flácido... “O corpo todo “largo” / Aberto!... Irônico a simular um “riso” / Aguardando apenas só... “Um tempo” / Que o “desenlace o leve... A condição de “rígido” / E a face estampe o rosto lívido/ E a "indiferença" estática dos cadáveres.


Já não lhe serve mais o gás, O2 
Seu CO2 nem serve mais as “plantas”  
Será carbono só! 
Voltou ao “ciclo” original... “Acinzentado”  
E como “cinzas”: vão ao “léu” ao “vento”  
Vai de encontro a uma multidão de vermes 
Que vão somar-se aos germens do “passado”.


Queria falar/ Mas o sangue assim igual a um peso e a “língua irresponsível”... Impedia/Queria engolir... Não engolia/ Queria cuspir... E não cuspia/ E queria vencer o impossível/ E queria viver... Não conseguia/ E queria voltar... Mas não podia.
E a alma, suspensa ao teto e “presa um pouco ainda ao “campo magnético” que: “prende” o “ser” ou “eu” ou “era”, ao “próprio ou mesmo”, queria dizer para “alguns médicos”: “Não vos culpo de “culpas”, mas vocês tanto quanto nós sabíamos. Ah! Tantos anos que sofri e se resume nisto. Que valor possa ter pra alguém! Quem possa ainda ser feliz! Ou antes, ou depois!







À Cecília Meireles, pelo “estilo e guia” de inspiração neste poema.

Ademar Raimundo de Barros.


Comentários do autor: 


Muito feliz o, meu amigo, incentivador, professor da Sociedade do Poetas, que me despertou inconscientemente a percorrer por estes caminhos: por onde as estrelas brilham, e o vento cálido suavemente sopra: “Os Girassóis e “Os Miosótis” e as “Sempre Vivas” desta terra... A Literatura.


Muito feliz também, a PAPIROS: pelo magnífico Trabalho de Apresentação do Livro (em Capa) ao deixar no “seu centro” milimetricamente arquitetado: uma “fresta” de apresentação a Tela (em afresco) de Sir Lukes Fildes: propositadamente dobrada e, sutilmente simula “consta in versus”: outra Obra Prima: o “supra sumo” da essência literária do autor... Meu grande e querido amigo desconhecido (por mim) e, seu fã incondicional sem comentários.


Feliz Alberto Caeiro que disse: “Pensar é estar doente dos olhos”, e ele estava brincando, por certo queria dizer: “Vivam! Não pensem naquilo que é ruim”. E é mais feliz ao admitir que todas as coisas belas do mundo fossem filhas da doença, e o amor é belo. O homem associa a beleza, o vigor, e os músculos, e a máscula ou feminina performance: procurando enganar o seu medo. Seu medo de morrer: seu medo de perder: seu medo de adoecer: e outros medos.


E completamente... Pessoas que gozam de saúde perfeita, não criam nada: assim como não criei: que precisei adoecer e ser tomado pela vontade de criar: da vontade de mudar: de dar importância as coisas que não dava... E o sofrimento foi esta força vital. Daí ter escolhido esta foto de um Livro que guardo com muito carinho: que me ensinou muitas coisas: muitas palavras que não foram ouvidas e passaram por mim sem nem deixar o “eco”. Permitam-me que exiba ao mundo (gratuitamente) esta tela que fala que pensa que chora... Que me fez refletir assim nesta poesia dedicada “Aos Médicos”... Mas muitos “Não Médicos” deveriam observá-la vez ou outra: e “cair” diante da sutileza desta Obra de Arte... Por maior que possamos ser, jamais! Estaremos ausentes do inevitável... Por mais seja moderna a Medicina.











Sem mais, muito obrigado, 

 Dr. Ademar Raimundo de Barros.

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